A saúde mental no trabalho tem se tornado cada vez mais uma prioridade nas estratégias empresariais, especialmente após as recentes atualizações na Norma Regulamentadora NR-01.

Graças a isso, a saúde mental no trabalho deixou de ser uma preocupação secundária e agora é um componente essencial na gestão de riscos ocupacionais. Com essas mudanças, agora é obrigatório o mapeamento e gerenciamento dos riscos psicossociais nas empresas.

Hoje, vamos falar sobre as principais alterações da NR-01 na prática e fornecer orientações para que gestores possam adaptar a empresa às novas exigências.

O que são as Normas Regulamentadoras (NRs)?

As Normas Regulamentadoras (NRs) são diretrizes estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com o objetivo de assegurar a segurança e a saúde dos trabalhadores no Brasil.

Elas se baseiam tanto na legislação nacional quanto em regulamentações internacionais, sendo obrigatórias para todas as empresas que contratam trabalhadores sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Atualmente, existem 38 NRs, cada uma abordando diferentes aspectos da segurança e saúde no ambiente de trabalho. Todas estão disponíveis no portal do MTE.

Os principais objetivos das NRs são:

  • orientar empregadores e empregados sobre as precauções necessárias para prevenção de doenças no ambiente de trabalho;
  • preservar a integridade física dos trabalhadores;
  • estabelecer regulamentações claras sobre segurança e saúde no ambiente de trabalho;
  • promover uma cultura de segurança e saúde nas organizações.

O que é a NR-1?

No âmbito legislativo, tanto as empresas quanto os trabalhadores devem cumprir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e as Normas Regulamentadoras (NRs), que complementam a legislação trabalhista.

A NR-1 é a norma mais abrangente entre as 38 existentes, regendo as demais. Ela foi estabelecida pela Portaria MTb n.º 3214, de 8 de junho de 1978, e desde sua criação tem passado por atualizações periódicas.

A NR-1 estabelece diretrizes para empregadores e empregados, tanto urbanos quanto rurais, relativas à segurança e saúde no trabalho, além de determinar os requisitos para o gerenciamento de riscos ocupacionais e medidas de prevenção.

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Uma mulher de blusa bege se recosta na cadeira com as mãos atrás da cabeça, personificando a essência da saúde mental no trabalho.

Principais mudanças relacionadas à saúde mental no trabalho na NR-1

Conforme mencionado, a NR-01 é uma norma base para segurança e saúde no trabalho. Uma das alterações mais importantes é quanto ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

O PGR é um documento técnico e estratégico que serve como ferramenta essencial para a gestão de riscos ocupacionais no ambiente de trabalho. Ele tem como principal objetivo identificar, avaliar e controlar riscos que possam comprometer a saúde e a segurança dos trabalhadores.

Antes, a norma se concentrava principalmente em fatores físicos e ambientais, como no uso correto de equipamentos e na ergonomia. Agora, com as exigências de identificar e prevenir riscos psicossociais, os empregadores precisam fazer mais para promover o bem-estar dos colaboradores, ou seja, cuidar da saúde mental no trabalho.

Fatores de risco como estresse, conflitos interpessoais e até mesmo a carga de trabalho excessiva devem ser identificados no PGR, onde também serão apresentadas medidas preventivas.

Ou seja, a questão da saíde mental no trabalho deixou de ser tratada como benefício complementar e a ser considerada tão relevante e obrigatória quanto o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para prevenção de acidentes de trabalho.

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Quando a NR-1 entra em vigor?

As novas diretrizes foram publicadas no Diário Oficial da União em 28 de agosto de 2024 e entrarão em vigor a partir de maio de 2026, oferecendo um prazo para que as empresas se adaptem às novas exigências.

É fundamental que as empresas atualizem seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR), realizem diagnósticos detalhados para identificar riscos psicossociais e adotem medidas para mitigá-los, contribuindo para fomentar a saúde mental no trabalho.

Como essa mudança pode beneficiar as empresas?

Investir na saúde mental no trabalho não é apenas uma obrigação legal, mas também uma estratégia vantajosa para as empresas. 

Empresas que investem em saúde mental no trabalho tendem a observar melhora na produtividade, no engajamento e na satisfação dos funcionários, além de evitar custos elevados com afastamentos e licenças médicas.

Um estudo feito pela Harvard Business Review Brasil informa que, para cada R$ 1 investido em programas de bem-estar para empresas, é possível ter um retorno de até R$ 4 em função do impacto positivo das ações na produtividade, redução de afastamentos e menor rotatividade.

Entenda mais sobre a NR-01.

O que ocorrerá com as empresas que não se adequarem à atualização da NR-1?

As empresas que não cumprirem a atualização da NR-1 estarão sujeitas a multas, embargos, interdições e à assinatura de termos de ajuste de conduta.

Os responsáveis pelas organizações poderão enfrentar processos civis e criminais em casos de acidentes graves ou fatais causados pelo descumprimento das normas de segurança.

Além das implicações legais, o não cumprimento da Norma Regulamentadora NR-01 pode afetar a imagem e reputação das empresas.

Assim que a NR-1 entrar em vigor, os auditores fiscais do trabalho poderão iniciar as fiscalizações e autuar as empresas que não estiverem em conformidade. Portanto, quanto antes você adequar a sua empresa, melhor.

Por que questões de saúde mental passaram a integrar a NR-1?

A inclusão da saúde mental na NR-1 é um grande avanço na proteção dos trabalhadores e na promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis.

Nenhuma outra NR abordava esse tema até agora. Ou seja, nenhuma empresa brasileira era legalmente obrigada a cuidar da saúde mental no trabalho.

Após a pandemia da Covid-19, a saúde mental ganhou um grande destaque. Com o retorno ao trabalho presencial e o aumento da pressão no mercado, aumentaram os casos de afastamento por depressão no trabalho e outras questões relacionadas.

Segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024. O número é 67% maior ao registrado no ano anterior e o mais alto na série histórica.

Conforme as stimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a depressão e a ansiedade geram perdas superiores a US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo. 

Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o burnout como uma doença ocupacional. 

Em 2024, uma portaria do Ministério da Saúde atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), incluindo transtornos como ansiedade, Burnout, depressão e até tentativas de suicídio como doenças relacionadas ao trabalho.

Devido a todos esses fatores, se fez necessário uma atualização da Norma Regulamentadora NR-1.

Relação entre a NR-1 e a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT)

A atualização da NR-1 está alinhada à recente revisão da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), que, em 27 de novembro de 2023, foi ampliada pela portaria nº 1999. 

A lista agora inclui mais de 165 doenças, como COVID-19, distúrbios musculoesqueléticos, diversos tipos de câncer, abuso de substâncias, tentativas de suicídio e doenças mentais. O número de condições relacionadas ao trabalho aumentou de 182 para 347.

O grupo 5 da LDRT, por exemplo, divide-se em duas categorias: riscos para o desenvolvimento de doenças e doenças que precisam ser identificadas, diagnosticadas e tratadas.

Entre os fatores de risco incluem-se: estilo de comando, acesso à integração e treinamento, comunicação deficiente, sobrecarga mental, clima ruim no ambiente de trabalho, qualidade das interações, discriminação, assédio (moral, sexual e psicológico), ritmo acelerado de trabalho, gestão organizacional e jornada de trabalho.

Diagnósticos de saúde mental que mais causam afastamento do trabalho

Os transtornos mentais estão entre as principais causas de concessão de auxílio-doença no Brasil, de acordo com os dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Os profissionais que passam a depender do benefício para cuidar da saúde geralmente se afastam porque estão com:

Depressão

É o principal motivo de afastamento por transtornos mentais. É um dos diagnósticos que mais cresceu nos últimos anos. Só no primeiro semestre de 2025 foram registrados 62 mil casos.

Ansiedade

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e as crises de pânico são, com frequência, associados à pressão por desempenho, sobrecarga e ambientes de trabalho instáveis. Um total de 80 mil casos foram registrados nos primeiros seis meses de 2025.

Burnout

A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a Síndrome de Burnout como um fenômeno ocupacional. Está relacionada à falta de atenção ao estresse crônico no trabalho.

Pelo levantamento feito pela ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros tem ou já tiveram Burnout.

Estresse grave e transtorno de adaptação

Estão associados a eventos traumáticos, mudanças abruptas na organização do trabalho ou contextos prolongados de alta tensão.  

Quais são os principais fatores de risco para a saúde mental dos trabalhadores?

Diversos fatores podem impactar a saúde mental no trabalho, contribuindo para transtornos como ansiedade, depressão e Burnout. 

Além de comprometer gravemente a saúde do colaborador, ambientes tóxicos tendem a resultar em queda de produtividade e aumento de faltas e afastamentos.

Alguns dos fatores mais significativos que influenciam tanto o ambiente de trabalho quanto a saúde dos colaboradores são:

  • Assédio sexual e moral: intimidação, humilhação e outras formas de violência psicológica são consideradas assédio moral. O assédio sexual é caracterizado por contato físico indesejado ou comentários inadequados.
  • Aumento de pressão: a pressão excessiva no ambiente de trabalho é um dos principais fatores que contribuem para o estresse e o Burnout.
  • Falta de sensação de pertencimento: a ausência de um ambiente inclusivo e acolhedor pode gerar sentimentos de desconexão e aumentar o estresse.

Como as empresas podem se adaptar?

Com a introdução dessas novas exigências da NR-1, é essencial que as empresas ajustem suas políticas e práticas para atender às novas demandas. 

A realização de campanhas isoladas de conscientização não é mais eficiente e nem é mais o que os órgãos reguladores esperam encontrar nas empresas. A partir da NR-1, as organizações terão de elaborar e executar programas contínuos de enfrentamento das causas de adoecimento, como sobrecarga, metas irreais e falhas de liderança.

É importante que as empresas atualizem seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR), identifiquem os riscos psicossociais e busquem medidas para mitigá-los. Uma solução é adotar práticas de bem-estar integral, que englobe saúde mental, física e social. Oferecer flexibilidade, autonomia e benefícios personalizados são estratégias que também podem contribuir para uma melhor saúde mental no trabalho.

Além disso, oferecer suporte psicológico pode ajudar. O MediQuo, por exemplo, oferece suporte psicológico 24/7, telessaúde e outros cuidados para o bem-estar dos colaboradores.

O papel do MediQuo na gestão da saúde mental corporativa

O MediQuo é uma solução estratégica que pode ajudar empresas a se adaptarem às novas exigências da NR-1. 

Com serviços como suporte psicológico, acesso a telessaúde e programas de bem-estar digital, o MediQuo oferece suporte contínuo para a saúde mental no trabalho, independentemeD

Dessa forma, permite que as empresas promovam um ambiente mais equilibrado e saudável, não apenas para atender às exigências da NR-1, mas também para melhorar a qualidade de vida dos funcionários e aumentar a produtividade.

O MediQuo é uma parceria essencial para qualquer empresa que queira investir na saúde mental no trabalho, oferecendo uma plataforma acessível e eficaz para implementar as novas regras da NR-1. 

Priorizar a saúde mental no trabalho é agora uma parte fundamental da estratégia, impactando diretamente a eficiência e o bem-estar dos colaboradores.

Ao conhecer as soluções oferecidas pelo MediQuo, as empresas têm a oportunidade de transformar o cuidado com a saúde mental no trabalho, promovendo um ambiente mais equilibrado e produtivo. 

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